sábado, 17 de abril de 2010

Viver a Vida - O depoimento que não passou lá.


Convidada de hoje: Nereida
Muita gente tem me enviado e-mail dizendo que lembrou de mim (e da minha história), na cena em que a Ingrid (Natháila do Valle) quase tem uma síncope, quando seu filho Miguel (Mateus Solano) disse que se ele e a futura mulher (Luciana - Aline Moraes) não puderem ter filhos (por conta da tetraplegia dela), eles adotarão uma criança. Isso tudo na novela "Viver a Vida", sábado passado (10/04).Ela disse que isso seria um absurdo, afinal, como ele teria "coragem" de adotar uma criança sem saber a origem da mesma. Acrescentou que se isso acontecer, ela prefere morrer; e se a criança não tem o sangue dela não será seu neto. Traduzindo: ignorância pura, atrelada a um meeeeeeeeeeeeeeega preconceito...

Mas não é só as novelas que retratam essa (triste) realidade, não...Quando minha mãe resolveu adotar uma criança (no caso, essa que vos escreve), uma das irmãs dela (a famosa Tia Neném) foi absolutamente contra e, por incrível que pareça, o discurso foi idêntico ao da Ingrid da novela.A única diferença é que ela disse que não consideraria essa criança como sobrinho(a).Tia Nénem teve 12 sobrinhos (11 de sangue e eu).

Se a modéstia me permite, hoje sou a sobrinha que ela mais gosta e tem consideração (a que mais ela paparica).Por quê? Talvez porque os 11 sobrinhos "de sangue" não estão nem aí pra ela.Não sabem, sequer, o dia do seu aniversário.

Talvez porque a única casa que ela frequenta (de todos os sobrinhos) é a minha; porque ninguém a convida para absolutamente nada.Pois é...A Tia Neném sabe a procedência, a origem de cada sobrinho "de sangue". E daí?!
Talvez eu tenha nascido de algum traficante, algum contraventor (da pesada). Pergunto de novo: e daí?!Importa foi o que Anália e Manoel me passaram, quando decidiram que eu faria parte da vida deles.E posso afirmar que me passaram muuuuuuuuuuuuuita coisa. E muuuuuuuuita coisa boa!

Abaixo o preconceito (de qualquer tipo).Caso não tenha visto, tô mandando o arquivo. É bem rápido.clique AQUI para ver.

- Nê, posso publicar isto no meu blog, no sofá do amigão?
- É claaaaaaaaaaaaaaaaaro... Tá mais que autorizado.
Acrescenta que fui abandonada (num orfanato), com mais 03 irmãos, quando ainda tinha 03 meses de idade.
Quando tinha 06 meses, minha mãe apareceu por lá, querendo adotar uma menina.
Adivinha pra quem foi a bênção... PRA MIM.
No dia em que completei um ano de idade, 23 de março de 1966, minha mãe foi me visitar e levou um vestidinho de presente. Aí fizeram uma surpresa pra ela, avisando que aquele seria o dia em que eu ganharia um lar.
Então é assim: fiz 45 anos, dia 23 de março, e há 44 anos tô com os meus pais (que de adotivos só têm o nome).
Nereida Severo, é publicitária. Trabalhamos juntos na Ogilvy&Mather



Feliz Sábado!

12 comentários. Clique e deixe o seu!!:

Marco Antonio Araujo disse...

Lindo, amigão.

O sentimento e os valores transmitidos e absorvidos são o que importa. Mesmo.

Eu, por exemplo... tenho um pai que não serve. E aí?

Elaine disse...

Querido,
De muitas maneiras, e por diversos motivos, seu texto de hoje me tocou profundamente. Ainda esta semana eu falei sobre isso com uma pessoa da minha família e fiquei assustada e chocada ao ouvir dela que concorda com a postura da tal Ingrid da novela.
O depoimento de sua amiga é lindo, e assim como acontece sempre onde as palavras falham o testemunho arrasta!
Qualquer dia vou escrever um pouco sobre isso...
Beijossss

Du disse...

Adorei, uma bela lição de vida! Histórias assim fazem com que a gente não perca a fé nos seres humanos! \o/

Beijo, meu amigo maisquequerido!!!

Suzana Martins disse...

Belíssimo sofá, meu Amigão!!

O amor é indefinido!

Lindo!!

Beeeijos... Amo vc!!

Feliz Sábado

Nereida disse...

Pois é, pessoal...
Essa é a minha história, essa é a minha vida!
Sou uma pessoa absurdamente feliz! Nunca houve revolta ou trauma; fui muito bem preparada pra saber que, se de um lado houve o abandono, do outro teve a misericórida de Deus, olhando e tendo planos para a minha vida.
Amo meus pais; mas sou tão louca pela minha mãe, que tatuei seu nome no meu braço direito.
Passem minha históra adiante. Façamos uma corrente contra o preconceito, não só com a adoção, mas sob qualquer aspecto.
Beijos à todos,
NEREIDA

Amigao disse...

Eu adotei o William e tem gente que torce o nariz e diz que eu tenho uma familia virtual.
Mas o Ryan é uma realidade.Fruto de uma escolha.
Sou feliz pelas minhas escolhas.

Nereida, obrigado por este belo post. Tá na hora de montar o seu blog.

Beijão do amigão

Amigao disse...

Pois é Marco, e daí?

Abração e bom domingo

Amigao disse...

Oi Elaine, gostei disso:
onde as palavras falham o testemunho arrasta!

Beijão e obrigado pela visita.Bom domingo

Amigao disse...

Du e Su
Beijos pra voces também, igualmente minhas maisquequeridas.

Valdeir Almeida disse...

Por incrível que pareça, ainda existe esse mito, não é? A questão não está nos progenitores da pessoa, mas em quem a cria.

Abraços Nereida. Gostei do seu depoimento. É esclarecedor.

Amigão, um abração e excelente semana.

Nereida disse...

Valdeir... Obrigada!
Mas esqueci um detalhe, que vc vai gostar: Anália e Manoel, que me adotaram, são baianíssimos, como você!
Minha mãe é de Itabuna. Meu pai de Riacho de Santana. Imagine se eu não gosto da tua terra...
Beijos!

Suzi disse...

Que história gostosa de ler!! Quando vi a cena da Nathalia do Valle, e seu show de interpretação, fiquei pensando: quanta gente deve estar se vendo aí... Achei até que quem pensa do mesmo jeito estava se sentindo bem, com aquela defesa de seus preconceitos, até que ela mandou aquela de que preferia morrer, que não seria avó de uma criança desconhecida, blá blá blá... Nessa hora, achei que essas pessoas se dariam conta de sua própria ignorância. Achei que ninguém pensava assim, nesses termos, e que teria sido um discurso beeeem radical do Autor, pra mostrar a feiúra do preconceito existente, ainda que manifestado de outras formas.
Lendo o depoimento da Nereida, percebi (pasmem!) que esse discurso final também existe. E, realmente, me fez muito mal. Se enquanto lia sua história, Nereida, eu derramava lágrimas, imagino a dor que deve sentir quem vive esse dilema de enfrentar, dentro de casa, as opiniões contrárias à adoção...

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