terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Desanimando o estágiario - Parte 1



Na semana de aniversário do blog resolvi requentar alguns posts dos que mais gostei de escrever. Decidi hoje, logo cedo quando estava tomando cafezinho com o Caio. Trabalhamos aqui na Resources que é uma operação do Grupo Publicis para atender suas duas maiores agências a Leo Burnett e a Publicis Brasil.O Caio é estagiário na minha esquipe e o sonho dele é trabalhar dentro do Departamento de Mídia.Pode ser da Leo, da Publicis, de qualquer uma.

E sempre que tomamos café, passamos o tempo comentando sobre o desprazer que é a vida de um estagiário dentro de uma agência de Propaganda.Isso é eu tentando desanima-lo.Em vão.Garoto ainda tem muito que aprender.Eu insisto e começo atacando a faculdade.Aliás se existe algo mais inútil que a Publicidade é a faculdade de publicidade. Que coisa mais inútil.Mesmo assim para conseguir uma vaguinha de estágiário na agência você precisa estudar numa boa faculdade.
Não adianta passar no vestibular da FAI (faculdade atrás da igreja) nem da “uninove é dez”.Tem que ser ESPM, ou PUC. USP? É pode até ser.
Aliás se você tem dinheiro pra estudar na ESPM ou PUC, faz uma coisa mais útil.Que tal medicina, engenharia, arquitetura, ou mesmo jornalismo que nem precisa de diploma?
Mas você insiste na Publicidade né?
Quando você estiver lá no terceiro ano e falando um inglês impecável, assim como o meu, aí sim você pode conseguir um estágio nas maiores agências.
A Ogilvy tem um programa muito bom para estagiários do terceiro ano que estudem na PUC ou ESPM e com muita sorte no Mackenzie.É só ligar lá e falar com a Elisa, uma japonesa muito simpática (uma boa dica: Assim, como não quer nada pergunte se ela ainda vende produtos da Avon e peça pra olhar a revistinha. É batata.)
Depois de insistir muito, e sua mãe ligar duzentas vezes para a agência é capaz de você conseguir uma vaguinha.
Finalmente você consegue um estágio numa grande agência. E agora você é um aprendiz cheio de disposição e vontade de aprender. O problema é que ninguém vai estar afim de ensinar nada. Mesmo porquê eles sabem que não há nada para ser ensinado. O que importa mesmo, agora é fazer contatos (não digo amigos, porque num ambiente hostil como esse, ninguém é amigo de ninguém. Casos raros acontecem, mas estou falando da regra e não das exceções).
Saia pra almoçar com eles (eles não vão te convidar, meta a cara) nos restaurantes caros que eles freqüentam, em que cada refeição custa levar três vezes a sua ajuda de custo (se é que a vai receber, normalmente fazer o estágio em uma agência de publicidade, já é uma honra tão grande que ninguém espera ser pago por isso). Jogue no computador o dia todo com eles, dê-lhes dicas de sites de sacanagem, descubra do que eles gostam (previsíveis como eles só, basta dar uma olhada na mesa de trabalho de cada um e descobrir seu pintor, autor ou desenho animado preferidos) e fale a respeito, dê presentes, enfim, puxe muuuuito o saco.
Nunca chegue com um anúncio pronto para o Diretor de Criação, por melhor que ele seja. Isso causaria um grande desconforto (e inveja, raiva e outros sentimentos execráveis).Ao ter uma idéia, fale dela com um Redator ou Diretor de Arte (aquilo que você não for) e deixe que a coisa pareça ser dos dois, ou melhor, mais dele do que sua. Só assim a coisa pode ir em frente.
Pra ser publicitário, você também não pode ser pobre. Tem que ter um carrão importado ou uma Harley, pra poder entrar no círculo dos Deuses. Tem que vir de uma família rica, abastada, que tenha lhe proporcionado viagens pelo mundo, livros, visitas a museus, uma bagagem cultural imensa, isso tudo vai ser muito útil naquelas conversas enormes na mesa de um bar. E tudo isso por um salário magnífico de R$ 500,00. Se for contratado, pode aumentar para R$ 1.000,00.Contratado?Por que é que alguém efetivaria um estagiário que não ganha nada (ou quase) e trabalha feito um camelo prá pagar mais? Não faz sentido.
Claro, você pode pensar que alguém talvez quisesse tê-lo por lá pelo seu magnífico talento.Desista. A menos que você seja uma gostosa, daí, R$ 1.600, com chances de se casar com o dono da agência.

( post requentando de um outro post publicado aqui  em janeiro de 2008, adaptadaço de um texto que um amigo de um amigo do Alexandre, mídia da Nestlé me deu de presente)

2 comentários. Clique e deixe o seu!!:

Caio disse...

É Amigão, vai ser meio difícil de me desanimar. Gostei da área!
Só acho que você poderia dar uma moralzinha à mais pro Mackenzie, que é bem melhor que a PUC! hahahahahahahaha

Belo texto!

Abraço

Natália disse...

hahahaha
Adorei o texto, Amigão. Devia virar panfleto pra ajudar as mentes ávidas do amanhã a não fazer a escolha errada no vestibular.
Eu tenho feito a minha parte: tenho desanimado mesmo aqueles que dizendo 'vou fazer jornalismo porque gosto de escrever'.

=D

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