sábado, 14 de novembro de 2009

Re-Sofá


Convidada de hoje é a Lorena
 Oi, pessoas queridas! Pela segunda vez estou sentada nesse sofá vermelho, sempre tão aconchegante, batendo um papo com o Amigão e com todos os outros "amigões" que passam por aqui. Da primeira vez que o Amigão me convidou eu não sabia muito bem do que se tratava, era novata não apenas nesse sofá vermelho, mas no mundo das blogagens de um modo geral. Meu cantinho era recém-nascido e eu, toda boba com o convite, preparei-lhe logo um baita artigo sobre bossa nova e fui mandando para o Amigão... E ele, com todo o jeitinho do mundo, tentou me dizer que eu podia ser menos formal, fazer uma introdução mais bacaninha, dar um jeitinho aqui, outro ali, pra coisa ficar mais "descolada". E a coisa saiu, nasceu e até que foi muito bem recebida... Agora volto no sofá, dessa vez mais solta e menos formal, porque já conheço a casa, já conheço os convidados, já conheço até a Dona Elite (oi, Elite!), e ela até disse que eu poderia colocar os pés em cima do sofá, que o Amigão não liga e ela também não.

Aliás, na minha casa eu sempre pude colocar os pés em cima do sofá... Achava bem chato quando ia visitar algum primo ou amigo e os pais deles não deixavam que a gente subisse no braço, ficasse em pé e nem usasse as almofadas do sofá pra fazer guerrinhas. Na minha casa sempre pudemos fazer tudo isso. Não que não tivéssemos disciplina, mamãe é daquelas que sabem pôr ordem numa casa e nunca admitiu nada fora do lugar...por muito tempo. Mas enquanto estivéssemos no meio da brincadeira, tudo bem, era só arrumar tudo depois.
Então o sofá era mais um brinquedo do "parque de diversões" que eu e minha irmã transformávamos nossa casa. Tinha uma brincadeira que nós adorávamos e dava pra fazer certinho no conjunto de sofás da sala de estar. As duas poltronas ficavam perpendiculares uma em relação a outra, e no cantinho sobrava um lugar vazio, onde os braços se encontravam, era um quadrado pequeno mas cabia perfeitamente nós duas sentadas lá. Aí pegávamos um colchão e colocávamos por cima dos braços e fingíamos que era nossa barraca de camping. Os braços não se encontravam completamente na frente, só em cima, deixando uma fresta por onde nós entrávamos na barraquinha.
Às vezes passávamos o dia todo lá dentro, levávamos comida, bonecas, a tarefa de casa, e só saíamos à noite... Era nesse mesmo sofá que eu passava horas lendo, deitada até sentir a pele toda grudada na napa do forro. Imagina, um calor infernal como só o de Vitória sabe ser, e eu deitada num sofá de napa, a tarde toda, com um livro no colo. Aí quando não agüentava mais de calor, eu tentava levantar e estava grudada! Até conseguir me soltar levava um tempo e alguns "ais!"...

Eita, cheguei aqui pensando em falar sobre mim e acabei falando de sofás, contando mais uma história de infância. Mas eu sou assim, vira e mexe estou contando alguma história de alguma época que vivi, ou recontando alguma história que ouvi de uma época que eu não vivi.
Eu acho que vou ser daquelas velhinhas que colocam os netos sentados no colo e passam a tarde toda contando histórias "de antigamente". Aliás, isso é influência direta dos meus avós mesmo, cresci desse jeito, no meio de contos, relatos e causos de um tempo que eu só conseguia imaginar.
Cresci no meio de adultos e sempre gostei de ouvir conversas de adultos, e tudo que eu não entendia, imaginava, com essa cabecinha fantasiosa que eu sempre tive. E como criança não pode falar de assunto de "gente grande", eu realmente não falava; guardava tudo e ficava remoendo, pensando, criando teorias próprias pra explicar o que tinha ficado vago...
Tanto fiz isso que tomei gosto por essa coisa de pensar e desenvolver raciocínios complexos sem emitir uma palavra falada! Só que chega uma hora que você sente falta, sente falta de falar, porque sabe que se não falar, a idéia vai sumir. E depois pra reproduzir uma idéia fielmente, meu amigo, é impossível!
Então foi daí que me veio a idéia de criar um blog... Onde eu falo o que eu penso e da forma como eu penso, o que nem sempre é lá muito fácil de entender, mas não é à toa que se chama "Strange Little Girl". É porque a garotinha aqui sabe ser estranha, às vezes.
O nome vem de uma música, o template é inspirado num filme, e daí vocês já conseguem perceber bem o que eu mais gosto nessa vida, além dos temas recorrentes que aparecem por lá. Gosto de escrever mais do que imaginei que pudesse; sempre gostei, mas nunca tinha tido prazer real até começar a perceber que podia escrever sobre tudo, que alguém leria. É por isso que os comentários são sempre tão importantes num blog, eles fazem parte do processo de escrita também. Além disso, são os comentários que nos fazem conhecer outros sonhadores de lápis e papel (e agora, porque não, de teclados sem fio!), e através deles nos conectamos com esse mundo imenso e surpreendente que é a blogosfera.
Fiz e faço amigos, além de textos; conheço lugares e idéias, além de códigos de HTML; paro e penso sobre assuntos que nunca passaram pela minha cabeça; leio e me emociono com poemas e versos em prosa; brinco de devaneios em comunidades hippies virtuais; acima de tudo, exponho sem (tanto) medo aquelas idéias que sempre povoaram minha cabeça e nunca tiveram uma real válvula de escape.
Acredito que essa é uma das funções de se ter um blog: expôr. Expôr pensamentos, idéias, alma e coração, por que não? A partir do momento que se abre esse espaço o poder das palavras é maior do que seu senso de auto-preservação.
Para os tímidos, como eu, pode ser uma grande ferramenta ou um motivo de desespero. Porque, convenhamos, qual é o tímido que gosta conscientemente de se expôr? Só que as palavras escritas acabam tornando o processo todo muito mais fácil e natural e, quando vemos, já falamos o que devíamos, o que queríamos e o que nunca nem sonhamos! E no final das contas, até que nem é tão difícil, não dói e pode fazer um bem danado para o coração.

Por essas e outras que, por mais que eu tente, não consigo ficar muito tempo longe desse universo, que já é meu mundinho particular. =)


Amigão, obrigada pelo espaço, obrigada pelos quitutes (aliás, obrigada a D. Elite!), e pelo carinho que você sempre teve comigo! Beijos!
Lorena foi fotografada pelas lentes do Moiza

(republicação)

7 comentários. Clique e deixe o seu!!:

Mitti disse...

Amei a entrevista de hoje!!

Vou lá no Blog da Lorena, conhecer.

Marcone França disse...

Realmente muito boa a conversa de hoje.
Também passei pa conhecer o blog da Lorena, mas ela tá "descansando do blog". Mas é válido.

Abraço!
Bom final de semana.

Amigao disse...

Pois é amigos, o sofá de hoje é uma republicação devido a um probleminha tecnico.
A gente volta com a Dani com um post inedito no próximo sábado.
Marcone, sua visita foi adiada para o dia 28.Mais tempo pra se inspirar.
Mitti, obrigado pela visita aqui.To te lincando na turminha do amigão, pra te visitar sempre.

Beijão do amigão

Lorena disse...

Ai, Amigão... Me deu uma saudade imensa de tudo, reler esse meu texto! Queria voltar para esse mundo de palavras, mas ainda não posso e nem devo, porque eu não quero deixar um espaço que eu gosto tanto, mal-cuidade e mal-aproveitado.
Mas obrigada pela lembrança assim mesmo, queridão. Beijão pra você e ótimo fim de semana!

Natália disse...

Eu não tinha lido esse sofá. Ma-ra-vi-lho-so como tudo que a Lore escreve. Eu leio os posts da Lore e tenho a impressão de que ela está pessoalmente me contando cada história dessas que ela escreve.
Muito boa essa republicação, Amigão.

P.S: Me convida pra vir ao sofá depois do dia 1º?

Beijos, amigão e lore

Amigao disse...

Lógico Natália, está convidada.

Beijão do amigão

Amigao disse...

Volta logo Lorena!

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