quinta-feira, 24 de setembro de 2009



Ando lendo bastante Martha Medeiros, autora de vários livros e que escreve uma coluna na revista semanal que vem encartada no jornal o Globo, do Rio. Em uma dessas colunas, bem recente, ela perguntava qual foi a melhor coisa que não lhe aconteceu?

"Antes do ator Daniel Craig ser confirmado como o novo James Bond do cinema, havia uma honda de boatos que prenunciava Clive Owen no papel. Lendo uma entrevista com Owen, ele disse que essa foi a mlhor coisa que nunca lhe aconteceu, pois quanto mais ele negava a informação, mais se falava sobre ele. É uma maneira de se divertir com o destino, mas a frase que ele usou é tão boa que deixemos o bonitão pra lá e vamos adiante: qual foi a melhor coisa que nunca lhe aconteceu?"

Ponto.O suficiente pra eu iniciar este post contando como foi que eu não viajei para os Estados Unidos. Aliás a Martha também contava da sua não viagem a Disneylândia.

Eu tinha 20 e poucos anos e meu sonho era me mandar para os “states”. Muitos amigos estavam indo como imigrantes para lavar pratos, cuidar de jardins, cuidar de crianças, até para trabalhar na floresta cortando árvores teve gente que foi.E todos estavam se dando bem e ganhando dinheiro e mandando dólares de lá pra cá. Uma farra. Alguém lembra dessa época? Lembro que o dinheiro vinha pelo correio mesmo, embrulhado em papel carbono dentro do envelope que era pra enganar os correios.

Sonhei com aquela viagem, me preparei e fiz dela o meu objetivo principal de vida.Era aquilo ou nada. Por falar em nada, eu não tinha nada.Eu não era nada. Mal havia terminado o meu curso de segundo grau.Era aquele sonho o único que eu tinha e  no final eu me atrapalhei todo, deu tudo errado e a viagem não rolou.

Sem nenhum plano B, tive a idéia de vir morar em São Paulo. Sozinho, terminei uma faculdade , comecei outra e fui trabalhar nesse negócio de Publicidade.Foi como se eu tivesse ido para outro país.Porque se você parar pra pensar São Paulo é realmente outro país.Tão diferente do Rio, só pra ficar no exemplo.Em agosto completei 23 anos de São Paulo.E se tem uma coisa que valeu a pena estes anos todos, foi ter feito amigos que nunca encontraria em nenhum outro lugar. E todos muito doidos e loucos. Encontrei um bando entende? Um bando mesmo de pessoas com experiências de vida diferentes, vindas de todo o país, com histórias pessoais fascinantes, únicas.Não sei como teria sido se tivesse ido morar fora.

"Fico imaginando as histórias que podem nunca ter acontecido com você.Namorar uma pessoa por oito anos e romper dias antes de subir ao altar: não ter casado pode ter sido a melhor coisa que nunca lhe aconteceu, vá saber o que o destino lhe ofereceu em troca. Ou você não ter passado num concurso. Nunca ter recebido a ligação que tanto esperava. Nunca ter recuperado um objeto perdido que o deixava preso a lembranças paralisantes.E você perceber que isso foi melhor coisa que nunca lhe aconteceu"(MM)

"É uma visão generosa da vida: imaginar que os não acontecimentos fizeram a diferença, que você está onde está não só por causa das escolhas que fez, mas também pelas especulações que nunca se confirmaram."

O que quero dizer é que não sei o que teria acontecido comigo, não me resignei, nem nunca disse foi Deus que quis assim. No fundo eu não sabia porque deu errado.Eu não tinha mais tempo de ficar pensando nisso eu tinha que dar um rumo pra minha vida e urgente.

Ao ler um pouquinho de Martha Medeiros, eu concordei. Não ter ido foi a melhor coisa que não me aconteceu.

"Ao manter esse caráter desestressado, eliminamos a palavra derrota do nosso vocabulário e a alma fica mais aliviada , o que não é pouca coisa nesse mundo em que tanta gente parece pesar toneladas devido ao mau humor e ao pessimismo . "(MM)

E por falar nisso, lembrei de uma história arrepiante sobre a melhor coisa que não aconteceu mas vou deixar pra contar no post de sábado.E pra não perder o costume, me responda lá nos comentários :qual foi a melhor coisa que não aconteceu na sua vida?

Bom dia!

19 comentários. Clique e deixe o seu!!:

Luma disse...

Ontem li um post em outro blogue também em referência a este texto da Martha Medeiros. Eu tenho uma visão diferente sobre as coisas acontecerem, devida a uma exclusiva escolha. Acredito apenas em um atraso daquilo que realmente deve acontecer. Podemos desviar do caminho, mas sempre retornamos à ele - diria que na vida temos acontecimentos que não fugiremos jamais deles. Beijus

Luca disse...

Pensar de forma construtiva oq não foi bem sucedido é bem incomum para as pessoas, já que oq importa é conseguirmos o que tanto desejamos e não oq vem depois de dar certo ou errado.

Ano passado, eu saí daqui em busca do meu mestrado no Rio e em Sampa. Não deu certo, chorei que me acabei. Meses depois veio a suspeita da doença da minha mãe, e quem segurou a barra?? Eu concordo que Deus sabe oq faz. Não passei, tive q voltar p casa e ajudei a minha madre a segurar a onda.

E, mesmo sem aprovação nas seleções, encontrei o meu amor. Às vezes, penso que o propósito de Deus para a minha aposta passada não era um novo certificado/diploma, mas encontrar algm especial. Encontrei.

Valdeir Almeida disse...

Amigão,

Também sou leitor assíduo de Martha Medeiros.

O texto dela associado a tua história fazem cair por terra dois ditados que eu detesto: "É melhor se arrepender do que fiz do que se arrepender do que não fiz", "Eu nunca me arrependo de nada do que faço".

As coisas que a gente não faz podem ter sido a salvação das nossas vidas. Podem ter significado o nosso progresso. Pessoas que, possivelmente não conheceríamos.

Os não-acontecimentos também são importantíssimos em nossas vidas.

Abraços

Valdeir Almeida disse...

Amigão,

Meu blog está promovendo a blogagem coletiva "Professores do Brasil".

Ficaria muito feliz se você pudesse participar. Desde já lhe agradeço. Abraços.

Diego Borges disse...

No meu caso , quando eu era pequeno meu pai queria me levar pro mato pra trabalhar com ele e minha mãezona disse que nem em pensamento eu iria parar de estudar pra ir pro mato, pra mim essa foi a melhor coisa que não em aconteceu não ir pro mato rsrsrsrs
Sou tão apegado a cidade que quando viajo pro interior me sinto uma bateria descarregando , como se minha energia fosse sumindo. Vai entender !!!!
Um abração amigão !!!!

Pat Rocha disse...

Amigão,
eu também leio sempre a Martha. Ela sempre me faz sentir "parte" de um mundo onde a vida é o que é pra todos e isso não nos deixa escorregar pro canto dos "coitadinhos" quando algo não funciona. Independente disso, eu acredito nos própositos de Deus. Não sou uma resignada, mas tenho aprendido, na porrada, que a gente não precisa brigar com a vida, não precisa deixá-la nos levar; o que a gente precisa é se harmonizar com ela e assim conseguir tirar o de melhor até dos nossos planos frustrados...

beijo
Pat

NANA disse...

Estou enganada ou vc está se tornando mais um fã de Martha Medeiros???

Acho ela melhor que muito escrito russo, sabia?

A única coisa que me vem a cabeça neste momento foi a não realização de um casamento. Acredito ter sido a melhor coisa que não aconteceu. Ou não. Vai saber...


Beijão

Amigao disse...

Oi Luma,fui lá no seu blog hoje e lembrei que ja tinha ido antes.è muito bom, tenho que voltar me atualizar e comentar.

Beijão do amigão

Amigao disse...

Luca, espere pelo meu post de sábado.Tu vai ver.Quer dizer, tu vai ler.

Beijão do amigao

Amigao disse...

Valdeir, opa, eu já sabia dessa blogagem e vou participar sim.
Vou fazer uma homenagem a minha professora mais querida.

Abração do amigão

Amigao disse...

Diego: Hehehehe, dando risadas aqui. Correu da roça rapaz?
Sorte sua!
Ao contrario de você, hoje eu sonho com uma vida pacata, na roça, ou lá bem longe. Cansei da cidade.

Abração do amigão

Amigao disse...

Oi Pat, é isso ai, pra você também vou pedir pra aguardar o meu post de sábado.Tu vai ler.

Beijão do amigão

Amigao disse...

Nana, pois é, virei fã. Estou lendo todas as colunas dela e já até pedi no O Globo pra me enviar as revistas do ano passado.

Beijão do amigão.

Suzi disse...

Eu não tenho lido, ultimamente, a MM, simplesmente porque termino não comprando o jornal, no domingo... Um hábito que vou resgatar. tenho uns livros dela e ao que me lembro só não gostei de um texto, até hoje.

Eu lembro desse tempo aí, que você contou. Aquele tanto de amigos indo pros "States", gente que nunca mais voltou, porque, estando ilegal, não conseguiria vir ao Brasil e depois voltar pra lá... Gente que fez dinheiro, que fazia lá o que jamais admitiria fazer aqui, em termos de trabalho, que se escondia em latas de lixo, quando a fiscalização chegava... Lembra dessas coisas? Pois é...

Bem, acho que esse modo de ver as coisas é muuuuuito interessante e confesso que nunca havia pensado nisso: a melhor coisa que não me aconteceu. E sinto uma certa dificuldade, para descobrir. Que coisa... Não sei se é porque eu sempre vejo o lado bom das coisas que acontecem e não acontecem, no momento em que acontecem ou deixam de acontecer, e aí depois esqueço do que não me agrada (memória seletiva, saca?), ou se é apenas problema de memória, mesmo...

Continuo aqui, tentando pensar na melhor coisa que não me aconteceu, mas não me lembro... Será que a melhor coisa... blá blá blá.... é não ter tido uma boa memória?????

Laís Carvalhêdo disse...

Qual foi a melhor coisa que não aconteceu na sua vida?

Eu estava pensando sobre isso ontem.
Quando minha mãe se separou do meu padrasto eu tinha 12 anos,ele tava casado com a minha mãe a uns 10.
Qdo isso aconteceu tudo ficou de perna pro ar,a ponto de resolverem q talvez seria bom pra mim morar com o meu pai,em Roraima.
Foi a melhor coisa q não me aconteceu!
Por inúmeros fatores...
Mas sou muito grata por isso.
^^

omargot disse...

Na verdade, tudo aconteceu do jeito que você queria, não é mesmo? Tá certo que começou com uma ideia, mas o desvio dessa ideia também não foi obra do acaso - eu pelo menos vejo dessa maneira. O que aconteceu foi o melhor pra você, e com certeza também seria melhor se tivesse feito o contrário e ido pros States.

A melhor coisa que não me aconteceu? Acho que foi não continuar morando em Floripa, onde nasci. Hoje, vendo alguns fatos da minha vida, do meu passado, percebo que foi uma das melhores coisas da minha vida não ter ficado lá, mas mudado pra MG, apesar de alguns enormes constrastes que encontramos aqui. Na verdade é preferível pensar mais sobre o assunto. Acho que tudo que nos acontece e tudo que deixa de acontecer é porque nós quisemos assim, então... ;)

Bom fim de semana pra ti, cara!

Alberto Júnior disse...

Parece que o sonho de "fazer a América" foi-se perdendo no tempo depois da novela global, né verdade?!

Imagine Amigão, se encontrarias com a mesma disposição tantos companheiros da blogosfera se este blog todinho estivesse in english? "I don't have não sei".

Uma pergunta que parte de uma frustração resultará absolutamente numa boa resposta.

Eu, particularmente, vivo sonhando com o passado e de como poderia ser minha vida hoje se tivesse feito outras escolhas. Elas continuam aparecendo e você sempre se questiona a partir do caminho que você optou seguir.

E eu teria várias coisas pra contar, mas vou falar de um sonho juvenil. Eu queria muito sair de casa e ir morar no Rio de Janeiro quando completasse a maioridade. Naquela época, a única garantia profissional que eu teria era o ofício de técnico em desenho industrial pois acabara de concluir um curso no extinto CEFET.

A vontade era grande, mas a coragem pouca. Não fui. Logo depois, aconteceu em São Luís uma exposição artística que me fez encontrar pessoas que modificaram meu ponto de vista pra muitas coisas e foram me despindo vários preconceitos. A exposição era a itinerância da Mostra do Redescobrimento do Brasil. Lá eu convivi com pessoas muito diferentes, acolhi grupos de visitantes dos mais distinto e até paguei mico tentando monitorar uma visitante canadense. Mas foi muito bom.

Logo depois, minha mãe sofreu um acidente gravíssimo por atropelamento e eu fui o enfermeiro o qual ela mais confiou.

Hoje compreendo que foi melhor assim, até porque recentemente estive no Rio e percebo que não teria a maturidade necessária para sobreviver com dignidade à cidade naquela época. Ou não!

Mas, sinto-me resignado pela forma como tudo aconteceu.

Abraço, Amigão!

Vera Santos disse...

Nunca tinha parado para pensar nessa história de qual e melhor coisa que não conteceu comigo. Pensando bem, acho que foi não ter se casado com a primeira grande paixão, porque o tempo mostra que existem coisas melhores e piores claro, daí é só escolher, quando se é jovem a ilusão é maior.

Elaine disse...

Amigão,
Tenho a imensa satisfação de informar que você é um dos finalistas da blogagem coletiva Uma carta para mim.
O selo para os finalistas e o artigo dando conta do resultado estão postados no blog.
Parabéns e boa sorte na votação.
Beijos.

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