terça-feira, 14 de julho de 2009


O meu vizinho me surpreende quase sempre com aquele som ligado num volume razoável. Pena que nem sempre posso retribuir a gentileza que ele concede quando toca Chico Buarque, ou Paulinho da Viola. Beth Carvalho também é sensacional. A coleção de CD's é sensacional. E me rende vez em quando uns posts por aqui.

- Joga pedra na Geni!

Nesse sábado que choveu o dia inteiro estou ouvindo a históra que o Chico contou em 1977. A história de uma cidade de gente má, que se vê ameaçada pelo comandante de um Zepelin cheio de canhões mas que pode evitar a destruição caso a formosa dama Geni, servir-lhe naquela noite:“Quando vi nesta cidade, tanto horror e iniqüidade resolvi tudo explodir. Mas posso evitar o drama se aquela formosa dama esta noite me servir”.

Geni, já tinha sido namorada de tudo que é nego torto, do cais ao porto. Acontece que apesar dos pesares também tinha seus caprichos e se era pra dormir com um sujeito como aquele preferia dar pros bichos. E nega-se terminantemente a salvar a cidade que lhe atirava pedras e cuspes.

Não deu outra. A mesma cidade, a cidade má implora pela salvação. Cidadões de bens.O prefeito veio de joelhos e o banqueiro ofereceu um milhão:

- Vai com ele vai, Geni. Você pode nos salvar, você vai nos redimir. Bendita Geni!
Então Geni cede as súplicas de todos e se entrega enojada ao forasteiro. Quando ele saciado, gozado e deixando suas marcas nela se vai e ela pensa que finalmente terá o respeito da cidade. Que talvez o prefeito mande fazer uma estátua e a câmara lhe conceda o título de cidadã honorária. Sem contar milhão do banqueiro. Nada.O dia nem amanheceu e tudo recomeça:
- Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni. Ela é boa de apanhar, ela é boa de cuspir. Ela dá pra qualquer um. Maldita Geni!

A música chegou ao fim na casa do vizinho e a história da Geni renderia posts infinitos mas paro na questão dos valores e da confusão que fazemos. Até hoje estamos confundido nossos valores e baseado neles vamos descartando aqui e ali e fazendo nossa própria justiça. Condenando alguns e inocentando outros segundos nossos próprios critérios. É certo que a Geni não tinha lá seus escrúpulos nem uma boa reputação, mas o que são escrúpulos e reputações?E quem foi que salvou a cidade da destruição ?

- E quem estiver sem pecado, que atire a primeira pedra!
Bom dia, mas bom dia mesmo!

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Joéliton dos Santos disse...

Olá,
Estou meio na correria hoje. Mas tirei um tempinho para visitar e deixar uma ótima semana!

Abraços amigão

Valdeir Almeida disse...

Amigão,

Se a música de Chico Buarque lhe renderia diversos posts, seu atual post me renderia vários comentários, mas farei poucos (eu cansaria você):

1) Pois é, Geni é uma outra versão da mulher adúltera narrada na Bíblia: aquelas pessoas que queria apedrejá-las, com certeza tinham um comportamento maior do que o dela. Atualmente, existem pessoas que nunca dizem nada de positivo de alguém, somente coisas negativas. Atiram pedras, quando poderiam dar rosas.

2) Sorte sua ter um vizinho que escuta Chico Buarque. Quem dera que eu tivesse um assim. O meu coloca nas alturas o som com músicas que nem eu sei identificar que gênero é, só sei que não são músicas. E o pior é que, sem querer acabo memorizando aquelas letras horríveis e aquela melodia que não é melodia.

Abraços.

Lorena disse...

Ah, Geni também sempre me deixa pensativa e meio chorosa, e com certeza rende ótimas discussões, como essa do seu post, Amigão...
E você matou a charada, sabe. Sempre imputamos nos outros os nossos valores e os nossos conceitos, e com isso nos damos o direito de julgá-los, muitas vezes com a violência que vemos contra Geni. E é literalmente, mesmo. É assim que vemos garotos tocando fogo em índio, em moradores de rua, espancando prostitutas em ponto de ônibus, homossexuais e travestis, negros, mulheres, crianças... Enfim, qualquer um que esteja numa posição "mais indefesa" (seja por falta de força física, de representação social ou de seus direitos civis assegurados). E as pessoas que fazem essas coisas se acham no direito de fazê-las, porque o outro é "só" o outro... O outro não sou eu e, assim sendo, a dor nunca é minha...

Ó, Amigão, sou sensível a injustiças, já fico com vontade de chorar só de te falar essas coisas... Queria tanto viver num mundo onde o ser humano fosse respeitado por ser humano... E que cada um vivesse sua vida de acordo com o que acredita, mas sem interferir nunca na liberdade do outro de ser o que ele acredita...

E isso foi um desabafo. Mas você é um amigão e sempre tem um ombro aí pra emprestar, né?
Beijos, queridão. Bom resto de semana!

Giane disse...

É, Amigão.

Quem somos para julgar os outros?
De verdade, quem somos?
A maioria de nós nem mesmo sabe.

Beijos mil!!!

Camila disse...

Ótima questão levantada, Amigão. Quantas Genis, quantos prefeitos e quantas cidades como essa existem por aí? Esse tipo de coisa acontece aos montes em nossa cidade, em nosso bairro, na nossa rua e acaba entrando na nossa casa, seja como vítima ou como algoz. E estar de um lado ou do outro dessa discussão depende da consciência de cada um. Eu tenho a minha, você tem a sua, mas isso não se compra em esquinas. Não mesmo!

Beijos!

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