sábado, 24 de janeiro de 2009

Enquanto os convidados não chegam ...


O Combinado era passar o reveillon na praia com a turminha de amigos aqui do bairro: "Amanhã (30/12/08) às 21h00 eu passo na sua casa pra te pegar".
Ás 21h00 em ponto eu não estava em casa, distraído pelos bares da vida perco o horário e a carona e a viagem e lá se vai a passagem de ano na praia. Ah, eu não queria ir mesmo.

É sempre assim: "não adianta marcar nada com o amigão, ele faz o que quer na hora que quer"."Agora, bem feito" "vai passar o ano novo sozinho em casa". O que parecia um castigo era tudo que eu queria. "Oba, esqueceram de mim" .

E foi assim que tirei o dia 31 só pra mim. Acordei com uma vontade de comer bacalhau, já que no natal parece que erraram a receita e tinha mais batata. Bacalhau. Sorvete. Leitura na livraria. Caminhar pela marginal que nesse dia está totalmente deserta. Embarcar no coletivo e passear na Paulista que vai ter corrida de São Silvestre daqui a pouco.

Foi aqui que iniciei minha vida profissional. Era a primeira vez que saía do Rio sozinho, para um lugar que não conhecia. Não tinha amigos e nenhum conhecido sequer. Uma ou duas referências apenas. Um moleque de vinte e poucos anos, bobão. Sem nenhum dinheiro no bolso, sem nenhum juízo mas com alguma ideia na cabeça.

É verdade que estava vindo para uma entrevista de emprego.Mas também era verdade que aquela entrevista era tudo que eu tinha naquele momento mas a bagagem era definitiva. Não poderia voltar para trás de mãos vazias.Era tudo ou nada. Não tinha mais lugar para complexos e traumas. Nada.Era eu sozinho na multidão. Primeiro emprego na AC Nielsen depois AlmapBBDO, DPZ,Publicis, Ogilvy e Giovanni.FCB. O moleque bobão saiu de Campo Grande no Rio e agora estava no meio do zumzumzum da Publicidade brasileira.Em todos os momentos eu lembrava que estava ali porque alguém lá em cima gostava muito de mim.
Ê São Paulo véio de guerra. Transferi meu titulo eleitoral e votei para prefeito, governador, presidente, deputados. Participei ativamente da vida da cidade.Conheço a cidade como a palma da mão bem mais que o Rio. Percorro qualquer roteiro de olhos fechados. Sei dos seus atalhos e lugares escuros. Sei das suas igrejas e templos, dos seus teatros e cinemas. Sei e já estive nos seus porões mas também sei dos seus filmes e suas canções.

Vinte e três anos depois, ainda sem nenhum juízo na cabeça, sem nenhum dinheiro no bolso (nem no banco) mas com uma gaveta lotada de papeis, cadernos, certificados, medalhas e trezentas e vinte oito canecas amontoadas na estante e um crédito de hum milhão de amigos no coração.

A Paulista continua encantadoramente mágica, os mesmos prédios a mesma esquina. Todos os cenários de outras cidades desapareceram. Somente as lembranças do que vivi aqui nesta cidade permanecem intactas.Foi com uma intimidade, uma intimidade que só acontece nos sonhos que me apropriei desta cidade. Muitas lembranças vem ao mesmo tempo. Fragmentos de um homem com pedaços ainda inteiros que o tempo não pagou e que conseguiu manter o bom humor. Esta cidade é aquilo que o Leandro diz: Conotivista demais. São Paulo é conotivismo puro. É isso.
Na esquina da consolação com a Paulista fico olhando a multidão que se acotovela para a corrida e para o show da noite. O mundo inteiro ali representado. Completa.



Vou caminhando na chuva pela consolação em direção ao centro.E na esquina mais famosa do mundo eu sinto que alguma coisa acontece em meu coração: É Orgulho ter sido compreendido e aceito por esta cidade.Orgulho por ser um cidadão paulistano.
Obrigado São Paulo, mas obrigado mesmo! Parabéns São Paulo, mas parabéns mesmo!
Dia 25/01/09 - aniversário de 455 anos de São Paulo.
( o sofá volta a funcionar com convidados a partir de fevereiro)

6 comentários. Clique e deixe o seu!!:

Juca disse...

Putz, Amigão, logo que te conheci achei que você fosse carioca. Aí fiquei sabendo que você morava aqui em Sampa. Então, pensei: ele é paulistano! Agora tenho a confirmação que você é mesmo do Rio! rsrs

Pois é, também adotei Sampa há 41 anos atrás. Graças à minha mãe, claro, que resolveu sair de Minas e tentar a sorte aqui! :-) Também amo demais essa cidade!! \o/

Adorei sua história, Amigão!

Parabéns, Sampa!

Abração, Amigão!

Du disse...

Amigão, estou aqui, li tudinho e gostei muito do texto.
Meu final de ano foi muito bom, na verdade foi inesquecível. Pena que tudo passa, né?

LUCAS DE OLIVEIRA disse...

Gostei do texto, Amigão!!!
E, feliz aniversário São Paulo!!!

abçs

Lucas de Oliveira
Jornal do Blog

Lilica disse...

Apesar do trânsito, da violência, da sujeira e etc, eu amo São Paulo de paixão, sabia? Não me imagino vivendo em outro lugar.

E se tem uma coisa que paulista não deixa de ser é receptivo! Adoramos quando cariocas vêm viver aqui e gostam, apesar da falta daquele marzão do Rio de Janeiro!!!! Pelo visto vc gostou né!!!!
Abração Amigão

Éverton Vidal disse...

Logo de início achei São Paulo fria (no sentido pessoal), inclusive os amigos paulistas. Achei muito corrida também. Como se o tempo fosse mais rápido. Mas, logo me acostumei e me apaixonei pela cidade. Essa música à qual você faz uma alusão, eu também tive essa sensação. Passei um fim de ano lá também.

Meu final de ano (2008) foi no Nordeste. terra linda e boa.

Quão belo, e quão "losango" é o nosso Brasil. Cheio de diferenças e particularidades.

FIca aqui um abraço. Bom domingo Amigão.

Inté!

Su disse...

São Paulo tem seu encanto e uma identidade própria que só quem conhece sabe e entende!!!

Meu reveillon foi inesquecível, faltou vc... =))

Beijos,
Amo vc!!!

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