sábado, 13 de setembro de 2008

Convidada de hoje: Drummerchik, a dona do blog Baqueta de Condão


Aloooooow, amigos blogosféricos! Caramba, alguém aqui imaginava que o Amigão concederia ao meu indigno traseiro a oportunidade de desfrutar de seu ilustre sofá? Não, gente, é sério: dei gritinhos de alegria quando recebi o convite do Amigão. Pow, cara, tu é massa que só a gota!
Agora fica aquela sensação clichê: falar do quê? Alguém aí tem alguma sugestão?........[bocejo]...Nadinha? Putz... Olha, quem não ajuda a escolher não pode reclamar depois, tá? Vou falar um pouco sobre a minha paixão mais óbvia no Baqueta de Condão (lá em casa), a boa e velha BATERA!
Eu cresci envolvida por música. Minha mãe toca violão desde a solteirice e arranha outros intrumentos também. A gente sempre teve muito disco de vinil (eeeeita, vovó!) - de crente, principalmente - e instrumentos variados em casa.
Aos 13 anos eu comecei a aprender teclado e piano e desde então fui tecladista de igreja.Teclado é legal e eu tenho uma facilidade anormal pra tocá-lo. Mas era aquela coisa morna, sabe? "Você toca teclado?" "É." "Que legal!" "É."
Lá na Manguetown eu cheguei a tocar com profissionais e tals... mas num saía daquilo. Eu evoluí até um ponto e estanquei. Não tinha nenhuma motivação pra seguir em frente.Paralelamente, eu achava que jazz era fundo musical de festa de grã-fino. Isso, lógico, porque o jazz que eu ouvia aqui e acolá era "pianístico" ou "saxofonístico".
Uma ou outra música me chamava a atenção - e era sempre pela batida insandecida. Também nunca tinha ouvido jazz contemporâneo ou fusion de tipo algum.Quando as pessoas me perguntavam que tipo de música eu gostava, eu dizia que era eclética - mas só gostava de verdade de música que me "surpreendesse". O ritmo podia ser o que fosse.
Mal sabia eu que essa música cheia de surpresas que pode perpassar todos os tipos de música era o mesmo jazz que eu desprezava.Num dos grupos que eu integrei o instrumental era extremamente unido. Foi onde eu conheci meu namorido, by the way! ^^ Pra vocês verem como era grande a unão! A gente costumava se reunir pra falar besteira na casa do baterista, que eu tenho como um verdadeiro irmão. Um belo dia, eu soltei a bomba:
- Harry, me ensina a tocar bateria?
Pronto. Começou a revolução.Ele me ensinou o básico e me ajudou a tocar algumas das músicas que ele tocava na igreja. Eu me apaixonei perdidamente e minha relação com o teclado, se era morna, esfriou de uma vez. Tudo era desculpa pra dar uma passadinha na casa de Harry pra praticar um pouquinho.
Ele me apresentou ao Spyro Gyra, a primeira banda de jazz que eu ouvi e fiquei de queixo no chão de tão deliciada! "É isso! É dessa música surpreendente que eu falava! Marrapaz, EU AMO JAZZ e nem sabia!"
Mas toda essa paixão esbarrou em dois pequenos problemas: (1) Harry tinha cada vez menos tempo pra me dar aulas e (2) na igreja tinha baterista - jazzeiro, calejado e experiente - demais e tecladista - àquela altura, só eu e Pepê - de menos. E nada de oportunidade pra aspira aqui.
Minha chance apareceu quando a gente se mudou pra Moscow. Em conversa com o pessoal da igreja nova, a galera perguntava o que a gente gostava de fazer e eu prontamente me apresentei à igreja como baterista. "Coincidentemente", a gente chegou na época em que o batera e o tecladista daqui estava precisando se afastar. Meu esposo - que também toca teclado - tapou um buraco e eu - mais feliz que pinto no lixo - tapei outro! Agora sim eu tinha como matar a secura!
Gente, música é um negócio fantástico. Eu costumo dizer que quem tem música não precisa de droga, porque ela dá uma lombra arretada, movéi. Eu dou valor a todo tipo de intrumento - inclusive a voz humana, certo? - e tenho minhas passagens pelo piano e talz, curto muuuuito contrabaixo, acho violão o instrumento mais versátil que existe, flautas doces bem tocadas são um deleite pra alma, uma orquestra sem pelo menos três trompas pra mim tá desfalcada... mas percussão, meeeu veeeeelho... a bateria em si é... num sei nem como dizer, é uma coisa assim visceral, sabe?
É como diz a descrição do Baqueta, citando Baba Tunji: "ritmo é a alma da vida. O universo inteiro se revolve em ritmo. Todas as coisas e todas as ações humanas se revolvem em ritmo".
A batida do coração está diretamente ligada ao seu estado de espírito. Quando você se apaixona, ele palpita; quando você tem medo, ele dispara; e, quando você morre... acabou a música do seu corpo.
A natureza toda segue num ritmo e o que quer que aconteça fora dele afeta todos nós. O ritmo, de fato, é a alma da vida.E quando você toca bateria numa banda, num grupo qualquer, eita bixiga... a música é o que reúne você e os outros, em primeiro lugar. Vocês estão ali por causa dela, e só. E como baterista, você é o grande encarregado de determinar - literalmente - o andamento das coisas.
Um baterista inseguro complica a vida do melhor dos guitarristas, por exemplo. Mas quando o batera tá seguro, porém relaxado, fazendo e mantendo a "caminha" pro resto da banda deitar tranqüila, cada músico pode se preocupar com sua própria música sossegado, sabendo que ainda que haja caquinhas, o ritmo - que é a alma da vida - está seguro.
E outra, bem fácil de averiguar: ao ouvir uma música qualquer que tenha um suingado mais legal, sua primeiríssima reação nunca será cantar - será marcar o ritmo, seja com a cabeça, com o pé, com o dedo, ou mesmo na cabeça. Pode testar!
Mais uma: nossa música se estabelece sobre três pilares - ritmo, harmonia e melodia. Toda e qualquer melodia já pressupõe ritmo; harmonia sem se submeter a um dado ritmo não faz sentido. Mas existe música feita só... com ritmo! Pode assistir a qualquer ensaio de escola de samba pra conferir!
Eita, nóis! Pra quem não sabia o que escrever, até que já foi um bocado, né?Bom, gente, eu fico por aqui, ouquêi? Se deixar eu num paro mais de falar sobre isso! Acho que deu pra entender por que a "Baqueta" é "de Condão", num deu?
Amigão, obrigada de verdade pelo convite! Fico muito feliz de ter podido compartilhar isso com você aqui no seu sofá chiquérrimo de veludo cutelê vermelho!Muitas baquetadas nas cabeças de vocês, povos e povas! Fui!
Obrigado Drummer, valeu a visita e aula. Divirta-se por aqui, o sofá é todo seu.
Beijão do amigão.
A caricatura é do Moiza, do Cartum com Bobagem.

18 comentários. Clique e deixe o seu!!:

Gata Borralheira disse...

É sempre assim, quem gosta de escrever, quando começa, quase não consegue parar mais, e a coisa piora exponencialmente se for pra falar sobre alguma coisa que ama, seja a profissão, uma pessoa ou uma bateria.

Está explicadíssimo o porquê do Baqueta de Condão, e é muito bonito ver toda essa empolgação que você tem. Eu sempre quis tocar algum instrumento, mas nunca deu certo, agora sinto que eu devia ter priorizado mais isso. Talvez eu ainda tenha tempo, né?

Que seu ritmo contiue assim, seguro e empolgante, pra contagiar todos à sua volta!

Bom dia aqui no Sofá do Amigão!
Beijos!

Camila

Anônimo disse...

Não podia deixar de vir prestigiar a irmã, mesmo atrasada e na correria, até porque eu sabia que ia adorar ler o texto dela...

Sabe que eu já tentei tocar bateria? Um amigo baterista me ensinou o ritmo basicão de todos, eu tava indo bem. Mas o amigo mudou pra outra cidade e a bateria foi com ele. Depois fui eu que mudei... E agora não tem baterista por perto. Mas ainda adoooro o som, sempre me ligo na bateria das músicas (mesmo sem entender nada).

Adoro o jeito como vc escreve com sotaque, Pri, parece que eu tô te ouvindo! hahahaha! E eu adoro ler sobre as paixões das pessoas e com vc não é diferente... Quase consigo ver o brilho no seu olhar ao falar da batera e da música...

E mais que minha irmã só Karen Carpenter! =)

beijos Drummer, e beijos Amigão!!

Du disse...

"A batida do coração está diretamente ligada ao seu estado de espírito. Quando você se apaixona, ele palpita; quando você tem medo, ele dispara; e, quando você morre... acabou a música do seu corpo."

Drummer, essa foi a frase mais LINDA que eu li aqui no sofá do Amigão, e olha que eu li TODOS os sofás!

Parece que estou te ouvindo falar com aquele sotaque gostoso que ouvi no seu podcast! \o/

Eu sabia que a tua participação ia ser porreta! \o/

Beijão pra você, Amigão e Moiza!

Amigao disse...

Oi Drummer,
Era pra eu ser o primeiro a comentar mas acordei tarde, e o post foi programado para entrar a 00:00.
Como dono deste blog não posso dizer que este foi o melhor texto que li aqui no sofá. Eu não posso fazer isto. Mas as baquetas...Esta parte que a Du mencionou, ficou na minha cabeça ontem a tarde quando estava preparando o post. "A música do corpo..."

Outra coisa, você poderia explicar onde fica Moscow e o que é Manguetown. Procurei por estas respostas no seu blog mas não vi nenhuma dica.

Olha aproveita que hoje eu tô off line e divirta-se muito por aqui. Qualquer coisa chama a Elite.

Beijão

Su disse...

Eu sempre vou timidamente no blog da Drummer, e já li algumas post's show!!
E que maravilha, ser envolvida por música desde pequena. A música nos envolve de uma tal forma que é difícil se desgrudar!!
Não há nada melhor que música!!!
"Gente, música é um negócio fantástico. Eu costumo dizer que quem tem música não precisa de droga, porque ela dá uma lombra arretada, movéi."
Parabéns Drummer!!
E claro, mto sucesso!!
Bjs Drummer!
BEijo no Amigão lindo!!!

Lorena disse...

Uia, mas pq será que o meu saiu como anônimo???

Francine Esqueda disse...

Oba! Cara nova, novidades e coisa boa!!! Sempre adoro os sabados por aqui! Já passei pela Baqueta algumas vezes... Agora com certeza vou voltar!
Amigão: Tem "presente" para vc lá no meu blog!

NANA disse...

""A batida do coração está diretamente ligada ao seu estado de espírito. Quando você se apaixona, ele palpita; quando você tem medo, ele dispara; e, quando você morre... acabou a música do seu corpo."

Perfeito!
Bêjo Dru
Bêjo Amigão

Katia disse...

Caramba Dru, muito bom seu texto super envolvente, deu pra perceber e captar todo seu amor pela musica e pela sua batera!!
como eu queria ter algo assim, pra me identificar e me marcar
muito legal
beijos

DrummerChick disse...

Gata,
é claaaaro que ainda há tempo! Vá fundo, fia! Você não vai se arrepender!!!!

Ló Anônima,
brigaduuu pelo carinho de sempre, minha flor! Você alegra meu dia! E você tmbé é batera, muullher?! Dessa eu num sabia!

Du,
[cara envergonhada e vermelha de quem não sabe o que dizer] Puxa, bigado... [/cara envergonhada e vermelha de quem não sabe o que dizer]

Amigão,
putz, jura?! Nunca pensei que essa frase fosse impactar um escritor tarimado feito tu! Hoje eu num durmo!

Su,
"timidamente"?!?!?! FALASSÉRIO!!! Quem manda naquela chibata sou eu e eu digo que você tem que se sentir à vontade!!! ^^ Brincadeira, mas com um fundo de verdade! Sinta-se em casa!

Francine,
apareça mesmo, vu? Ai, ai, ai, eu vou cobrar!

Nana,
ATÉ TU? XD Xero, linda!

Kátia,
CONTINUE PROCURANDO! Não desista!

Moiza,
ESSA CARICATURA TÁ A MINHA CARA! Valeu, cara! Olha, Amigão, que massa, eu e tu, lado a lado!

DrummerChick disse...

A todos:

siiim, eu escrevo com sotaque! ^^ Huahuahua! E traduzindo:

Manguetown é a capital do manguebeat: Recife! Moscow é a "capital do oeste" potiguar: Mossoró!

Gente, brigadaço pelo carinho, de verdade! You rock!

E Elite, parabéns! Eu podia ter lambido o chão do estúdio e num ia encontrar um só grão e areia!

Bem, agora eu vou tentar descansar depois de um dia inteiro de intensa atividade cerebral na aula... eu só num podia deixar de passar aqui, né?

UM XERO NAS VENTA DE VOCÊS TUDINHO!

Urbano Leonel Sant' Anna disse...

Oi, Garota do Tambor!

O assento chegou a esfriar?
Saí daí há pouquinho... (rsrsrs)

Olha...
Também tenho uma relação extremamente íntima com a música. Apenas por um acidente da vida (ou erro de opção na adolescência) é que não sou músico profissional, mas ainda pretendo corrigir isto em breve.

Tu dizes "quem tem música não precisa de droga". Eu costumo dizer que a música é a minha droga. Não é nada difícil de entender esta relação do ser humano com a música. Há evidências sugerindo que, antes mesmo de falar, o homem primitivo já cantava.

Gostei muito da tua participação no Sofá! Adoro conversar sobre música! Pena que é o justamente o ritmo o meu ponto fraco... Que tal umas aulinhas de percussão, hein?

Beijão!

Urbano

LUCAS DE OLIVEIRA disse...

Outra grande participação!!!

Amigão. Seu pedido foi atendido lá no meu blog!

abçs


Lucas de Oliveira

Éverton Vidal disse...

Sou fã dela. É isso!
Gostei da entrevista!

P.Winter disse...

Parabéns pela escolha,Amigão!
Drummer é sensacional!Não resisti em conhecer a Baqueta de Condão!

Concordo com a citação de Baba Tunji: "ritmo é a alma da vida. O universo inteiro se revolve em ritmo. Todas as coisas e todas as ações humanas se revolvem em ritmo".
Quem gosta de música e se envolve com ela só pode ser gente boa,sensível e feliz!
beijo pra Drummer
abraço,amigão

disse...

Cheguei meio atrasada...mas tudo bem, estava fora e só hoje fiquei sabendo da sua entrevista.
Seu texto perfeito, agora te conheço mais um pouco e te admiro ainda mais.
Sou sua fã e adorei a entrevista.
veijos Dru!
Vovó Rô!

DrummerChick disse...

Urbano,
não encare isso como um erro, cara! Encare somo uma preparação! E brigadão pela força! ^^

Lucas,
valeu! XD

Vidal,
^^*

Winter,
UAU! Xorei de emoção! Seja sempre bem-vindo!

Voinha Rô,
a senhora é a única vó que gosta do meu instrumento! ^^

PriAliança disse...

Amigão, tava procurando esse texto e lembrando daqueles tempos! ^^ Um abração!

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