terça-feira, 19 de agosto de 2008

Eu era bem moço, usava espelhinho no bolso e sapatos bico fino. Não sempre às vezes, usava tênis também.
De roupa social, ia a igreja, cantava, lia e estudava.
Usava gel e partia o cabelo ao meio colado na cabeça e fechava as duas metades atrás.
Partida ao meio era também minha vida.
Amores perdidos, sonhados, chorados, saídos.
Beijos roubados....
Eu era bem moço, e tocava Roberto Carlos no rádio.
Usava calças curtas como símbolo de que era ainda imaturo para a vida.
Ficava vermelho a toa quando uma menina elogiava ou me olhava muito.

Eu era bem moço e já me consumia de amor.
As mãos suavam e tremiam.
Nem sempre.

Sonhava os mais perdidos sonhos tentando subir a torre do castelo.
Eu era bem moço,
Mandava cartinhas apaixonadas,
Roubava flores,
Nos bailes ensaiava passos incertos.

E muitas vezes quando era moço, eu chorava amores não correspondidos.




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14 comentários. Clique e deixe o seu!!:

NANDO DAMÁZIO disse...

Nossa, Amigão, quanta inspiração...

E quer saber? No fundo, acho que quando a gente cresce continua tudo igualzinho, não mudou nada... Somos exatamente como esse garotinho do texto.

Abração!

Su disse...

Esse meu amigo tá mais que inspirado!!!
Adorei...
Kd vc??
Aprece!
Beijooos

Rui Carlo disse...

Também fui moço, meu moço amigo...
E ainda guardo minha Olivetti, afinal foi com ela que compus meus primeiros versos, meus primeiros contos, meus primeiros sonhos, meus primeiros amores....
Nostálgico sem ser triste nem melancólico...
Belo, belíssimo texto;;;
Abraços...

PS: Avisa à "Ai meus sais" que há dias tento fazer comentários no seu blog (dela), mas não disponibiliza para isso... Grato

MoizaCARTUNS disse...

Quando eu era bem moço, minha timidez maldita não me deixava consumir-me de amor... mas tbm ficava vermelho à toa quando uma menina elogiava ou me olhava muito, hehehe

Belo texto, Amigão! O que é isso? Um conto? Um versinho? Ficou legal.

Abraços

Urbano Leonel Sant' Anna disse...

Belo texto, Amigão!

Estou saindo agora, mas volto depois pra comentar. OK?

Abração, Amigão!

Du disse...

Eu também era bem assim, me consumia de amor e chorava por amores não correspondidos...err...ainda sou assim! =/

Ah, eu também adoro aquela caneca, vou dar um jeito de fazer uma pra mim e outra pra você!

Beijão!

Olhos Virtuais disse...

Poutz..... igual alguém que EU conheço rsrsrsrs mas eu era feliz nessa época rsrs

Abração

Lorena disse...

Que texto nostálgico, Amigão... Hoje eu estou pra lá de nostálgica e esse texto me tocou...

Beijos.

NANA disse...

Eita que essa cirurgia tá acabando com vc...

Henrique Medeiros disse...

Visite meu novo blog:
http://henriquemedeiros.blogspot.com/

Suzi disse...

ai, que coisa mais munita de se ler...
remington.
lettera 32 era a que tinha aqui em casa, quando eu escrevia meus poemas de amor...
ê... bons tempos, amigão! bons tempos...

Éverton Vidal disse...

Quanta saudade nesse texto. Me contaminou também... Pra sre sincero, nestes dias ando bem saudoso e morrendo de vontade de voltar pra Manaus.

Gostei da letra do texto, como se fosse escrito em máquina né? Lembrei que ganhei uma máquina da minha mae, a bichinha tá me esperando pra quando eu chegar rsrs.

Um forte abraço mano. Parabéns pelo texto sigelo e belíssimo.

Inté!

Urbano Leonel Sant' Anna disse...

Voltei, Amigão!

Olha:
Este cabelo que se "fechava as duas metades atrás" a gente costumava chamar de "asas de pato" aqui em Porto Alegre, RS, onde eu cresci. (rsrsrs)

Quantas lembranças deste tempo...
Eu vivi a metade da minha vida apaixonado, mas a adolescência eu passei inteira. Escrevia uma música atrás da outra. O Roberto tocava no rádio o tempo todo e, quando se desligava o rádio, passava a tocar no meu violão.

Nem me fala em passos incertos nos bailes (aqui se chamavam "reuniões dançantes" ou "reúnas")...
A gente tentava imitar o Elvis, tremendo os ombros e as pernas, e as gurias tiravam o maior sarro de nós, perguntando se a gente tava levando um choque elétrico! (rsrsrsrsrs)

Tempos difíceis...
Amores não correspondidos eram a regra.
Mas, como disse Olhos Virtuais, eu era feliz e creio que foi a melhor época de toda a minha vida! Hoje a gente ainda sofre de amor, mas parece que é mais fácil de entender o porquê das coisas. E isto acaba nos tornando mais amargos e mais desconfiados, cada vez mais arredios às paixões...

Obrigado, Amigão!
Foi muito bom remexer no baú da adolescência!

Toma lá um quebra-costela!

Urbano

Nati disse...

Esse ex-moço que era moço é você, Amigão?
Que legal! Sendo você ou não, adorei o texto: meio conto, meio versinho, meio poesia.

Ritmo bom. Dá vontade de ouvir bossa nova.

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