domingo, 9 de março de 2008

O Texto abaixo é uma carta escrita por uma mãe argentina ao jogador Maradona, na época em que ele estava internado em um hospital. Copiei da revista Invito, edição de agosto/07.
Para os amantes do bom futebol é uma leitura e tanto!

"Vi o Zacharias chorar três vezes na vida. Quando lhe disseram que Nacho era menino, quando você meteu o segundo gol nos ingleses e quando te expulsaram da Copa de 94. Assim que, dê-se conta: graças a você descobri que meu marido tinha sangue nas veias. Por isso, se ele reza, eu rezo. E não me importa se outra vez há que rezar por você. Nesta casa, quando meu marido diz que há que se acender duas velas, acendem-se duas velas.
Você não é o santo de minha devoção, já te disse mil vezes; e sempre te achei uma boa bosta porque você é um fanfarrão, um boca-suja. O Zacharias me diz que se eu gostasse de futebol seria outra coisa, que você em campo era algo inominável, de outro mundo, eras capaz de enlouquecer as leis da física e blábláblá. Mas, por esse lado, ninguém me convence. Sou uma senhora, não entendo e nem quero entender de pelotas.
Por outro lado, há outras coisas que, sim entendo. E por essas coisas rezo as noites. Mas atenção, não é por você. Sabe por que rezo? Porque houve momentos em que não tivemos nada sobre a mesa - e você dava alegria à minha família.
Alfonsín estava fazendo estragos e, graças a Deus, justamente nos caiu do céu uma copa do mundo, que ganhaste de ponta a ponta. Para mim foi um inverno ruim, porque somente podia servir caldinho de acelga no almoço e no jantar.
Mas se hoje pergunto ao Nacho ou ao Zacharias do que se recordam daquele inverno, eles falam no seu nome, enchem a boca para falar de você, sorriem... Não se recordam de outra coisa, não têm a menor idéia de que passaram fome.
Do lado de fora, na porta da clínica onde respiras por um tubinho, está cheio de jornalistas estrangeiros tirando fotos de um mundo de gente que acende velas e passa a madrugada rezando. Às vezes me dá um pouco de vergonha que o resto do mundo creia que somos tão simplórios, tão cabeçudos. Mas depois me dá vontade de explicar ao mundo que ninguém reza pelo boca-suja, nem mesmo pelo fanfarrão. Tenho vontade de explicar ao mundo que, das poucas alegrias que tivemos nos últimos vinte anos, quase todas vieram com a sua assinatura.
No dia da efedrina saí para a rua e, te juro pelos meus três filhos, pela primeira vez na vida vi todo mundo chorando. As pessoas andavam em silêncio, arrastando os pés e com muco escorrendo do nariz. Todo um país murcho e mudo. Que esquisito somos!-pensei. Mas me senti orgulhosa desse sangue que era meu, porque também chorava e não sabia desde quando.
Se até o Caio, que nunca te viu erguer uma copa do mundo, tem um poster seu no quarto dele - e fala de você como se te houvesse vivido. Se até o Nonno te perdoou por ter mandado à puta que o pariu toda a Itália, ao vivo e em cores. Se, inclusive, o Nacho, que odeia futebol, sabe que você é muito mais do que isso, e te defende... Como não vou rezar pára que você se restabeleça?
Dentro de muitos anos, os filhos dos filhos da Sofia viverão em um país muito melhor do que o que temos agora. E ninguém se recordará de que eras um fanfarrão e um boca-suja. Os livros escolares dirão de você somente o importante: que aqui uma vez nasceu um mestiço que jogava bola melhor do que ninguém, e que era capaz de reerguer um povo triste e deixá-lo louco de alegria, de fazê-lo feliz - inclusive nas épocas mais negras. Para que não morra esse sujeito, rezo."

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Enquanto estava digitando o post de hoje a TV ligada no SBT. Silvio Santos entregava o troféu imprensa ao Seu Jorge, pediu pra ele cantar um trechinho da música.O infeliz olhou pra mim e disparou: "É isso ai...um vendedor de flores...." (eu mereço!) não entendeu? veja aqui.

10 comentários. Clique e deixe o seu!!:

Paty Maionese disse...

Bem amigão, como eu não gosto, aliás, eu detesto futebol nem vou comentar o texto que eu pacientemente li todinho só porque eu tenho um grande apreço pelo seu blog.
Ler sobre futebol pra mim é um grande desafio.
Anyway, a observação do fim do post foi ÓTIMA!!! Se eu morri de rir, imagino você.

Éverton Vidal disse...

Caramba... er... eu quase chorei com o texto da véa, se eu fosse mais corajoso confessaria aqui que chorei por dentro.

Textao! Minha família já passou coisas semelhantes. Viva o mengao! Viva o Zico!

E viva nosso hermano Maradona rsrs

Éverton Vidal disse...

Passei lá no post da Ana Carolina, nao consegui comentar lá, mas ri a beça kkk . Nao curto Ana Carolina - é uma artista e tanto eu sei. Mas eu nao curto rs

Juliana Freitas disse...

É isso aíiiii... hauhauhauhauaha
Agora não sei se fico com mais pena de vc ou de mim...

Já pegou seu selinho lá no blog, fio?
Beijos!

Du disse...

Alexandre Pato fez bonito no Internacional, meu time, pena que foi embora tão cedo...aff! Bom pra ele!
Eu gosto das músicas Ana Carolina!

Que vc tenha uma ótima semana!

Beijos

Arcanjo D'Prata disse...

A carta é muito bonita. Não suporto futebol por muitas razões, mas consigo compreender, e agora muito mais, a importãncia dele na vida das pessoas.

Abração!

Suzi disse...

ana carolina me cansa.
isso resume tudo o que você escreveu lá no outro post e que eu assino embaixo. e ainda tem mais uma coisa: as músicas dela nunca acabam, já reparou?? ela tem pena de acabar, aí fica fazendo um "ôooo, êeeee, uououououo.... uhhhh... ououououou..."
é muuuuuuuuuuuuuito chata!

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"...se ele reza, eu rezo. E não me importa se outra vez há que rezar por você..." - coisa de mãe, não é, amigão? sabemos muito bem o que é isso.

"...houve momentos em que não tivemos nada sobre a mesa - e você dava alegria à minha família... se hoje pergunto ao Nacho ou ao Zacharias do que se recordam daquele inverno, eles falam no seu nome, enchem a boca para falar de você, sorriem... Não se recordam de outra coisa, não têm a menor idéia de que passaram fome..." - lindo, isso.

e, por fim, dou-me de cara com isto:
"...Dentro de muitos anos, os filhos dos filhos da Sofia viverão em um país muito melhor do que o que temos agora. E ninguém se recordará de que eras um fanfarrão e um boca-suja. Os livros escolares dirão de você somente o importante: que aqui uma vez nasceu um mestiço que jogava bola melhor do que ninguém, e que era capaz de reerguer um povo triste e deixá-lo louco de alegria, de fazê-lo feliz - inclusive nas épocas mais negras. Para que não morra esse sujeito, rezo."

Tá. Chorei mesmo. Pacas. Muito.
Fazer o quê? Sou manteiga derretida, adoro futebol, e mães que rezam.

NANDO DAMÁZIO disse...

O futebol meche com a gente, tem essa garra, emoção vibrante, capaz de exaltar pessoas de todas as idades !!

Emocionante a carta !! :´)

NANDO DAMÁZIO disse...

dose básica de analfa: MEXE* !!

Rui Carlo disse...

Carta extremamente linda!
Eu não havia atinado pra importância social do Maradona... cara, que grande mulher deve ser está senhora e como ela consegue perceber o bem que el diablo pode causar à sua família, odiando ao diablo, mas amando o que ele lhe fez...

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