terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Quando é o tempo certo? Qual o Plano B?

Um velho barqueiro estava atravessando o rio conduzindo um jovem estudante. Sem muito assunto o jovem estudioso pergunta ao velho:"Você sabe o que é filosofia?".
O barqueiro olhou para o jovem e moveu a cabeça. "Eu não sei o que é isso". "Que pena" respondeu o jovem, "você perdeu um quarto da sua vida".
O barqueiro ficou um pouco atormentado e continuou a conduzir seu barco sem nenhum palavra.Mas o jovem estudioso perguntou de novo. "Você não sabe filosofia? Então você sabe sobre literatura?" O jovem estava cheio de arrogância. O barqueiro conduzia barco desde de a sua infância e nunca havia escutado falar sobre filosofia ou literatura. Mas ele tinha que responder. "Eu não sei". "Você está vivendo nesse lindo lugar, mas não sabe nada sobre literatura. Você perdeu dois quartos da sua vida."
O estudante todo orgulhoso de si o chamou novamente: "Oi, barqueiro." "Sim!" "Você sabe o que é geografia?" "Eu não sei." O barco estava naquele momento no meio do rio. O estudante perguntou novamente. "Então o que você sabe sobre psicologia?" O barqueiro continuou a conduzir o barco e lhe respondeu a mesma coisa: "Não sei." "Você não sabe nada sobre filosofia, menos ainda sobre literatura. Você nunca ouviu falar sobre geografia e psicologia. Você é um homem pobre e perdeu quatro quartos da sua vida. É como se você estivesse morto."
Em um dado momento o barco já no meio do rio bateu numa pedra jogando os dois para fora do barco. Foi quando o velho barqueiro perguntou ao jovem estudante:"Você sabe nadar?".
"Não, por favor me ajude...". "Lamento muito, o rio é muito perigoso e agora você e a geografia, a literatura, a psicologia irão se afogar".
Lembrei desta história de infância, quando li um post da Juliana que perguntava:"Quando é o tempo?" e do Phernando que comentava sobre a necessidade de ter um plano B quando tudo deu errado.
Aí está uma boa questão para se tratar com tantos estudantes e profissionais novos. Jovens afogados nos livros sem tempo para namorar, beijar, passear,curtir um bom filme, sair com os amigos e tantas outras coisas legais que a vida oferece. Mudem o foco!
Fujam das ciências exatas. Das especializações. Seja especialista nas generalidades e generalista nas especialidades. Tudo com um pouco de equilíbrio.
Não.Não estou incentivando a largar os livros escolares nem a jogar tudo para o alto. Mas sim, para fixarem a vida. A vida de agora, de ontem, a vida vivida. A vida lida e narrada.A vida sonhada.
Quando entrei na AlmapBBDO, garoto ainda com vinte e poucos anos, meu VP me deu um conselho: "Jogue estas porcarias de livros de marketing fora. Tudo baboseira..." e me deu de presente um gibi do Asterix. Após a leitura comprei a coleção inteira. Eu tinha os 33 volumes e isso foi durante muito tempo minha filosofia de vida


Para quem não lembra Asterix era um herói Gaulês que vivia com seus amigos, em uma pequena aldeia ao norte da antiga Gália resistindo ao domínio romano. Para enfrentar as legiões, contam com a ajuda de uma poção mágica, que lhes dá força sobre-humana, preparada pelo druida Panoramix. A exceção é Obelix, que caiu dentro de um caldeirão com a poção quando ainda era bebê e por isso adquiriu permanentemente a super força.
Os meus heróis eram invencíveis e só temiam uma coisa "Que o céu desabe sobre nossa cabeça". (daqui)
Quando terminar tudo isso que você está fazendo aí, vai descobrir que a inspiração verdadeira não nasce nas teorias masturbatórias das universidades. Ou de ter conseguido um monte de coisas e ouvir todo mundo dizer que você venceu, só porque tem um carro zero na garagem e um belo apartamento no Guarujá. Ou de ser considerado um fracasso por não ter nada disso.Tendo ou não tendo coisas você vai descobrir que bela merda você foi fazer da sua vida. A inspiração vem primeiro da liberdade e da independência e principalmente do bom humor e mais ainda de uma leve cumplicidade com a vida.
Não conheço ninguém que valha a pena conhecer que leve a si mesmo a sério.
- Mas amigão prá você é fácil falar ?
Confesso que é fácil sim. Afinal eu nunca levei nada a sério.Ok confesso, embora não pareça eu tenho um lado muito sério mas felizmente eu tenho um outro lado que não permite que eu leve o meu lado sério, tão a sério.
E termino isto com as palavras da : "Cada um no seu tempo, cada um com suas escolhas... O importante é se descobrir e ser feliz. O tempo que isso vai levar? Aí é com cada um..."
- Mas e o tal do plano B?
O plano B é muito simples: aprenda a nadar!
E quando você entender estas verdades você será livre!
Abração do amigão!
Ah, já ia esquecendo de informar que assim como o Asterix eu tenho muito medo que o céu desabe sobre minha cabeça e baseado na história do jovem estudante eu aprendi a nadar aos 30 anos.E não me afoguei.

6 comentários. Clique e deixe o seu!!:

Suzi disse...

É mesmo uma grande piada essa história de "se achar", achar que sabe tudo. Quando é que se vai descobrir que conhecimento não é sabedoria???

MUTUMUTUM disse...

Pow, amigão! Bela história essa. Já estava aqui, puto com o estudante, e qse comemorei qdo ele levou a dele. A lição por trás disso foi mto bem explicada neste post o/

Claro q, por ora, enfiei minha cara nos livros... quero passar num maldito concurso. Mas isso não significa que deixei de blogar, de namorar, de sair... enfim, de VIVER!

E, considerando os resultados das últimas provas, estou indo mto bem :)

Abraços, amigão o/

Lion of Zion disse...

Bom texto, cara.

Espero aprender a esperar, refletir e mesmo quando eu divergir saber que minha sabedoria ou conhecimento não são o absoluto de tudo.

Éverton Vidal disse...

Puta Liçao Amigao! Grandes verdades...

E eu estou tao cheio de "teorias masturbatórias das universidades"... realmente foi bom ler isso aqui.

NANDO DAMÁZIO disse...

Putz .. 3:40 da madruga e eu na frente do PC !! Vou seguir seus conselhos, há muita vida lá fora, hehe ..
Abraço !!

Arcanjo D'Prata disse...

Muito bom o texto!!! Sábias passagens que esse blog leciona! :)

Pude ver duas coisas: 1° aquele jovem estudante morreu por desconsiderar o valor das relações humanas. Por analogia, sua "arrogância" o matou fria e vingativamente. 2° aquele barqueiro, "humilde", foi mais afetado pela arrogância do rapaz do que suas respostas puderam revelar(tão educadas). Pela forma que reagiu no final, talvez constantemente passasse por tal - ou semelhante - humilhação.

Às vezes me pego afogado nos livros, mas nunca esqueço das páginas corridas da Vida, e pelo visto você, Amigão, também não.

Abç!

Obs: Tb gosto de Aterix e Obelix, porém só conheço o filme, rs.

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