sábado, 13 de outubro de 2007

A criação

Vamos começar pela criação. No princípio Deus criou os céus e a terra…opa, desculpa, confundi a Criação com algo menos importante. A Criação, onde trabalham os criativos (um lindo nome pra dizer às pessoas normais quando lhe perguntam: "o que é que você faz" – "sou criativo". Com certeza elas têm vontade de dizer: "e eu sou engraçado, bonito, inteligente. E ainda tenho uma profissão") é um ambiente magnífico. Que geralmente até às 10h30 da manhã está deserto. É nessa hora que começam a chegar os primeiros habitantes (em geral, estagiários). Até às 6 da tarde os cérebros ainda estão a aquecer e só pelas 8 da noite começam a trabalhar. Ficam nessa atividade incessante até 2 da manhã e, por isso, não podem chegar antes das 10 ou 11 no dia seguinte. Faz sentido. Há dois tipos básicos de Criação: a "Túmulo", onde ninguém abre a boca e cada riso um pouquinho mais alto pode atrapalhar a concentração de quem está no MSN ou vendo um site de sacanagem, ou lendo uma revista. E a "Casa da Mãe Joana" ,onde todo mundo ri alto, faz bagunça, conta piadas sujas, tira sarro dos atendimentos e vê e-mails com mulheres de pernas arreganhadas na frente da Sra. do café.
Quem escolhe qual dos dois rumos a equipe vai seguir é o todo poderoso Diretor de Criação. Os seus seguidores, considerados deuses menores são divididos em duplas Redator de Arte e Diretor de Arte.E ainda há os semideuses (Assistentes de Arte) e anjos (Estagiários). E assim é formado o Céu, o Olimpo.
É lá que se criam os anúncios que você vê na TV , na revista e por ai fora.
Não é qualquer um que entra no céu, como dizem as Testemunhas de Jeová, só há 144 mil lugares no céu para uma população de 7 bilhões de habitantes. Para trabalhar na criação, a proporção é bem menor.
Prá começar, prá ser criativo, você também não pode ser pobre. Tem que ter um carrão importado ou uma Harley, pra poder entrar no círculo dos Deuses. Tem que vir de uma família rica, abastada, que tenha lhe proporcionado viagens pelo mundo, livros, visitas a museus, uma bagagem cultural imensa, tudo muito necessário na hora de fazer um tablóide de supermercado.
Os criativos sempre permanecem numa redoma de cristal. Nunca devem ir ao atendimento (a não ser pra falar com aquela gostosa em particular, sem os outros deuses todos de olho), não sabem onde fica (e nem que existe) a mídia e só passam no financeiro para entregar a nota fiscal de serviços no final do mês, já que poucas agências podem pagar salários tão altos "por dentro". Geralmente vão direto do carro (um bem caro, último tipo, que fica dentro da garagem) para a Criação e da Criação para o carro. Obrigatoriamente, têm um hobby para "aliviar o estresse" do dia-a-dia, como pintar, tirar fotos, escrever livros, crónicas. Geralmente tudo de pior qualidade do que o trabalho que fazem na agência (imagine), mas dá status. E rende assunto com as gostosas do atendimento.
Na criação baranga nao tabalha, as vezes sim.

1 Comentário:

Billy Shears disse...

Hahahahahhaahhhahahahahahahahahaha. Do caralho o texto! Eu sou o Léo, do Eu e meu ego grande. Sensdacional o texto, sou publicitário e senti aquilo de "caralho! queria ter escrito essa porra!", huahuahuauhha. Bom pra caralho mesmo, passa sempre lá no me blogue, assim que der tempo vou te linkar lá. Se quiser fazer um meme ou um post a quatro maos, sem viadagem, tamos aí. Abração.

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